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Whole Foods lança Market Daily e sinaliza novo modelo de conveniência no varejo supermercadista

10/01/2026

Comportamento & tendência
fátima merlin

Whole Foods Market apresentou, em Nova York, um novo formato de loja que pode indicar os próximos passos do varejo supermercadista urbano. Batizado de Whole Foods Market Daily, o modelo aposta em lojas menores, sortimento altamente curado e foco absoluto em alimentos frescos, combinando conveniência, eficiência operacional e recorrência de compra.

A iniciativa vem sendo acompanhada de perto por especialistas que participam da NRF 2026, maior evento global do varejo. Para a CEO da Connect Shopper e consultora Fátima Merlin, que está em Nova York acompanhando o evento, o Market Daily não deve ser interpretado como uma simples redução de metragem do modelo tradicional da rede.

“O Market Daily não é um ‘mini Whole Foods’. Ele nasce com um posicionamento próprio: menos metragem, menos excesso e mais confiança. É um formato pensado para o abastecimento diário urbano, não para compras ocasionais”, afirma.

Conveniência como posicionamento estratégico

O novo conceito se posiciona como uma conveniência premium consciente, integrada à rotina cotidiana do consumidor urbano. A proposta é reduzir fricções, aumentar a frequência de visita e gerar maior previsibilidade de receita por meio de alto giro e recorrência.

Segundo Fátima Merlin, o formato reforça a ideia de que conveniência deixou de ser apenas um atributo operacional e passou a ter papel estratégico na rentabilidade. “Conveniência, nesse modelo, é uma estratégia financeira. Menos fricção gera mais recorrência, e mais recorrência aumenta o lifetime value do shopper”, analisa.

Sortimento enxuto e marca como redutora de risco

Um dos principais diferenciais do Market Daily está na curadoria rigorosa do sortimento. Cada item disponível precisa justificar sua presença na loja, o que reduz capital imobilizado, minimiza perdas e facilita a decisão de compra do consumidor. “A marca Whole Foods funciona como um ativo de redução de risco. O shopper confia que qualquer escolha ali será boa, o que permite um sortimento cirúrgico e altamente eficiente”, explica Fátima.

Fresh food como motor de tráfego e margem

O modelo reforça o papel estratégico dos alimentos frescos e prontos para consumo, como refeições ready-to-eat, snacks saudáveis e bebidas funcionais. Essas categorias são tratadas como motores de tráfego, frequência e margem. “Fresh food, quando bem gerido, deixa de ser custo e passa a ser alavanca de resultado. Ele sustenta tanto o giro quanto a rentabilidade”, afirma a consultora.

Layout funcional e comunicação não promocional

A arquitetura das lojas prioriza eficiência operacional. O layout é desenhado para facilitar o fluxo, agilizar a reposição e reduzir custos, enquanto a comunicação no ponto de venda tem caráter funcional, não promocional.

Predominam sinalizações de orientação, organização por uso e clareza de categorias, com pouco apelo visual chamativo. “A loja não tenta convencer o consumidor com promoção o tempo todo. Ela orienta. Isso fortalece o hábito e a recorrência”, observa Fátima Merlin.

Sustentabilidade integrada à operação

Outro aspecto central do Market Daily é a integração da sustentabilidade ao modelo de negócio, com cadeias mais curtas, redução de desperdício e uso consciente de embalagens, sempre conectados à eficiência econômica. “Aqui, sustentabilidade não é discurso. Ela está integrada à operação e contribui diretamente para eficiência e redução de perdas”, destaca.

Gerenciamento por Categoria como base do modelo

O formato também evidencia o papel do Gerenciamento por Categoria (GC) como estrutura de rentabilidade. O papel da loja é claramente definido como abastecimento diário premium, com categorias organizadas por missão de compra, preços sustentados por valor percebido e baixa dependência de promoções. “O GC deixa de ser apenas operacional e passa a ser uma arquitetura de rentabilidade. Tudo é pensado para gerar giro, margem e hábito”, resume Fátima Merlin.

Tendência para grandes centros urbanos

O lançamento do Whole Foods Market Daily reforça uma tendência crescente no varejo supermercadista global: lojas menores, mais especializadas, com foco em recorrência, frescor e eficiência, especialmente em grandes centros urbanos. “Esse modelo aponta para um futuro em que menos espaço pode significar mais resultado, desde que haja clareza estratégica”, conclui Fátima.