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PwC Brasil: saúde e bem-estar impulsionam o varejo supermercadista em 2026

08/01/2026 • Atualizado pela ultima vez 1 Dia

Comportamento & tendência
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Após um 2025 marcado por cautela, o varejo brasileiro deve encontrar novas oportunidades de crescimento em 2026, impulsionado por grandes eventos, avanços tecnológicos e pela busca por maior eficiência operacional. A avaliação é de Luciana Medeiros, sócia da PwC Brasil e líder da área de Varejo e Consumo, em entrevista ao Brazil Economy.

Segundo a executiva, o último ano foi desafiador para o setor, principalmente em razão dos juros elevados, da inflação resistente e de um consumidor mais seletivo. “O varejo brasileiro operou em 2025 dentro de um cenário de otimismo cauteloso. O consumidor esteve mais atento ao orçamento, o que exigiu das empresas uma gestão ainda mais disciplinada e estratégica”, afirmou.

Entre os segmentos que mais se destacaram, Luciana apontou saúde e bem-estar, impulsionados pela cultura wellness e por inovações como os medicamentos para emagrecimento. “Saúde e bem-estar seguem como vetores importantes de crescimento, com impactos diretos no varejo supermercadista, no setor farmacêutico e na indústria de produtos embalados”, explicou.

Outro ponto de atenção destacado pela executiva é a escassez de mão de obra qualificada, que passou a figurar como um dos principais desafios do setor. “Mesmo com os ganhos de eficiência proporcionados pela tecnologia, o capital humano segue sendo essencial. Em nossa pesquisa global com CEOs, a falta de mão de obra apareceu pela primeira vez como o principal obstáculo ao crescimento do setor de consumo no Brasil”, ressaltou ao Brazil Economy.

Para 2026, a expectativa é de um ambiente ainda complexo, mas com espaço para avanços. “O varejo terá novas avenidas de crescimento em 2026, especialmente para empresas que conseguirem equilibrar expansão, rentabilidade, inovação e eficiência operacional. Será um ano de desafios, com a reforma tributária, tensões globais, eleições e grandes eventos, como a Copa do Mundo, que tradicionalmente movimentam o consumo”, disse.

Segundo Luciana, além da expansão física tradicional, os executivos devem olhar para novos horizontes, como retail media, monetização de dados, serviços financeiros, soluções B2B e parcerias estratégicas. No campo operacional, temas como inteligência artificial, automação, otimização de capital e disciplina de custos devem ganhar ainda mais relevância nas agendas corporativas.

A executiva também destacou que, apesar do avanço do digital e dos marketplaces, a loja física continua central no varejo brasileiro. “A loja física não perde importância. Ela se transforma em um novo centro de gravidade do varejo, assumindo funções logísticas, sensoriais e de relacionamento, integradas a uma jornada verdadeiramente omnichannel”, afirmou.

Por fim, Luciana Medeiros ressaltou o papel crescente da inteligência artificial no setor. “A IA tende a deixar de ser um diferencial competitivo para se tornar parte do cotidiano do varejo. Já observamos ganhos claros em gestão de estoques, prevenção de perdas e personalização da jornada de compra. Mais da metade dos brasileiros demonstra familiaridade com a IA generativa no planejamento de compras, o que impacta diretamente o comportamento do consumidor”, concluiu.