Palestra sobre assédio no ambiente de trabalho é destaque no primeiro dia do palco Conecta Varejo no Rio Innovation Week

Segurança no ambiente de trabalho é tema de palestra no Conecta Varejo, durante Rio Innovation Week

Especialistas comentam importância dos canais de denúncia e como empresas podem agir para tornar um ambiente mais humano

04/08/2026

Conecta
Palestra sobre assédio no ambiente de trabalho é destaque no primeiro dia do palco Conecta Varejo no Rio Innovation Week

Palestra sobre assédio no ambiente de trabalho é destaque no primeiro dia do palco Conecta Varejo no Rio Innovation Week

O Conecta Varejo segue a todo vapor no Rio Innovation Week! O painel “Inovação sem medo: por que ambientes seguros são o futuro do trabalho nas organizações” aborda como lideranças, cultura organizacional e tecnologia podem atuar de forma integrada para proteger um fator essencial para o funcionamento de qualquer negócio: as pessoas. 

Para debater o assunto, o Conecta Varejo reuniu um grande time de especialistas: Bárbara Ferrari (Advogada da Ferrari & Rodrigues Advogados), Cintia Savelli (Assessora chefe de Relações Institucionais do Governo do Rio de Janeiro); Francine Bezerra (Sócia fundadora da Ditah) e Viviane Pires (Sócia da NBW Company). 

O debate abordou como prevenir o assédio, fortalecer a segurança psicológica e impulsionar ambientes de trabalho mais éticos, diversos, colaborativos e inovadores. Veja tudo que rolou! 

O cenário atual 

Para dar início à palestra, Bárbara Ferrari mostrou como anda o cenário atual da segurança no trabalho: 2025 teve o maior número de afastamentos de trabalho por incapacidade temporária nos últimos 5 anos. Trata-se de um acidente notificado a cada 46 segundos no Brasil. 

Além disso, os transtornos mentais já formam a 2ª maior causa de afastamento do país. O cenário revela ainda que o esgotamento atinge principalmente mulheres. “Segundo os estudos, as jornadas extensas - e não falando só de jornadas de trabalho - tem gerado uma questão para o adoecimento dessas pessoas”, afirma a advogada. Instabilidade profissional e estresse crônico também estão entre os motivos dos afastamentos. 

“Falar de um ambiente seguro é falar sobre prevenção, sobre um futuro muito próximo que já estamos vivendo. Se olharmos os números, 4 milhões de afastamentos já seriam considerados uma epidemia”, destacou Bárbara. 

O mecanismo do prejuízo 

O que as especialistas apontam na palestra do Conecta Varejo é que, além de trazer prejuízos óbvios para a saúde do trabalhador, esse ambiente tóxico também reflete em prejuízos para a própria empresa. 

Em muitos casos, o cenário pede um afastamento temporário do trabalhador. O que parece ser um evento isolado transforma-se em custo. O mesmo vale com o nexo acidentário, quando o INSS atrela a doença mental à empresa. O índice de sinistralidade dobra com o agravamento do FAP e, por fim, o impacto na folha de pagamento pode levar a prejuízos milionários. 

Ou seja: trabalhar em um ambiente seguro é essencial não só para manter o trabalhador motivado e garantir um tratamento humano, como também para garantir o sustento do negócio. 

Assédio além do ambiente de trabalho

Cintia Savelli contou sobre sua experiência na Justiça do Trabalho, explicando que a toxicidade em um ambiente de trabalho torna-se um ciclo. A especialista apontou que, com o avanço da tecnologia, o assédio vai além do presencial.

“Hoje em dia, o assédio não se limita somente ao ambiente de trabalho. A tecnologia avançou para ajudar muitas empresas, nossa vida e o trabalho. Mas ela também é um veículo que pode trazer assédio. Temos a possibilidade de assédio virtual através de grupos de WhatsApp, redes sociais, no próprio perfil da empresa, dos colaboradores… Isso tudo é uma realidade que já estamos vivendo”, explicou. 

A especialista pontuou que funcionário e empresário precisam caminhar juntos, e não ficar conflitando um com o outro. Por isso, Cintia aponta a necessidade de treinamentos internos. “Quando a empresa recebe a intimação de ação trabalhista, a situação não começou só naquele momento. Ela já veio há muito tempo. Alguém deixou de agir e a liderança falhou. Por isso, existe a importância do treinamento dos gestores e políticas internas”, disse. 

Cultura do improviso 

Francine Bezerra começou sua participação no Conecta Varejo explicando que o “ambiente seguro nada mais é do que um ambiente transparente”. A especialista contou que já esteve dos dois lados da moeda - como empresária e como colaboradora - o que a permitiu ter uma visão ampla do negócio. 

Ela destacou a importância de trabalhar a liderança para que ela não se sinta abandonada no cargo e saiba como trabalhar ao lado de seus funcionários. “É muito mais no lugar de autocuidado e entender o que se pode fazer como forma de autoconhecimento”, disse. 

Francine apontou ainda como usar sempre o “jeitinho brasileiro” pode ser negativo para um negócio funcionar. “Acho que, na maioria das vezes, não estamos preparados. Vivemos na cultura do improviso, principalmente do Brasil”, disse. 

Além disso, ela destacou a importância de cada colaborador não deixar de lado os seus sentimentos em relação ao trabalho. Para a especialista, é importante que cada um entenda o que funciona ou não para si mesmo a fim de garantir maior qualidade de vida. “É utopia? Posso escolher? Pode. E podemos escolher não ficar”, disse. 

Canal de denúncias

Viviane Pires abordou a importância de trabalhar em estratégias que ajudem a mitigar os riscos de assédio. “Não é difícil imaginar que um ambiente de trabalho íntegro e respeitoso permite que cada um consiga potencializar suas expertises”, disse. 

A especialista comentou que, muitas vezes, a empresa não percebe os problemas que acontecem debaixo do próprio nariz. “Eu costumo dizer que existe, no mundo corporativo, as falácias da gestão. Aqueles mitos que achamos que é verdade. Às vezes olhamos para esses dados e pensamos que na nossa organização não vai chegar nesse ponto [...] Mas como você acha que ficará sabendo nessa posição de liderança? Por isso, existe uma pressão muito grande para que empresas tenham seu canal de denúncia”, comentou. 

Viviane destacou que essa é uma das melhores ferramentas para combater o assédio dentro das empresas. A especialista contou ao público o case de uma empresa que registrou números impressionantes após observar os dados obtidos pelo canal: 50% dos denunciados são pessoas nos cargos de liderança e mais de 50% do objeto da denúncia fala sobre relacionamento interpessoal. Tudo isso revela como a estratégia é eficaz para garantir o melhor para todos, do empresário ao funcinoário. 

“O canal de denúncia é uma forma de monitorar. Se algo acontecer, comunique para que a gente também possa ser parte da mudança no mundo corporativo”, afirmou Viviane.