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7º Fórum de Integração Varejo e Indústria debate comportamento do consumidor, inovação e governança familiar

Realizado pela SA+ em parceria com a ASSERJ, o evento reuniu líderes, supermercadistas e grandes marcas para fortalecer parcerias e discutir tendências

30/09/2026

Por dentro da asserj
7º Fórum de Integração Varejo e Indústria reúne representantes dos supermercados e da indústria

7º Fórum de Integração Varejo e Indústria reúne representantes dos supermercados e da indústria

Na manhã desta quarta-feira (30), o Windsor Marapendi Hotel, na Barra da Tijuca, sediou o 7º Fórum Rio de Janeiro de Integração Varejo e Indústria. O encontro promoveu uma troca dinâmica entre os dois setores, reforçando a importância da confiança mútua e da parceria estratégica para atender às rápidas mudanças no comportamento do consumidor. O evento foi realizado pela SA+ Varejo em parceria com a ASSERJ.

O fórum começou com um café da manhã de boas-vindas para networking informal, seguido por palestras sobre tendências de mercado e apresentações de marcas estratégicas.

Sergio Alvim, CEO da SA+, deu início ao evento celebrando a união entre a indústria e os supermercados. Ele destacou que o mercado vive um momento de grandes transformações, impulsionado por fatores como o uso de canetas emagrecedoras, a premiumização dos produtos, o aumento no consumo de proteínas e a busca por saudabilidade.

A partir desse cenário, Alvim provocou a plateia sobre a necessidade das lojas refletirem as mudanças no consumo: "Temos que entender de sortimento por loja e conhecer o consumidor. Se eu conheço o cliente da minha loja, tenho mais chance e assertividade e vou acertar mais", destacou. Segundo ele, os melhores negócios não se sustentam apenas em descontos, mas em estratégias que agregam valor e fazem o cliente levar mais.

Insights do cenário atual do setor

Fábio Queiróz e Sergio Alvim no Fórum de Integração Varejo e Indústria 
Para abrir oficialmente o ciclo de palestras, Fábio Queiróz, presidente da ALAS e da ASSERJ, conversou com os participantes sobre a urgência de alinhar o varejo às demandas de um consumidor que "já está no futuro". Ele lembrou que a ASSERJ atua como braço de desenvolvimento do setor supermercadista junto ao poder público, ao terceiro setor e à indústria.

Refletindo sobre o conceito de inovação, pontuou: "Não ter ruptura nas lojas é inovar. Precisamos pensar em uma loja extremamente operacionalizada para que a tecnologia entre na nossa logística, na experiência do consumidor".

Fábio sugeriu um forte estreitamento nas alianças comerciais. Para a indústria, mandou um recado: "Mergulhem no nosso negócio que está cada vez mais aberto". Já para os supermercadistas, destacou: "Utilizem o que a indústria tem de melhor".

Queiróz ressaltou ainda o uso adequado do CRM conectado ao retail media e a importância de interpretar dados com precisão: "A operação é dura e sobra pouco tempo para tecnologia e inovação, mas aqui no Rio de Janeiro você as tem".

Complementando a análise, Tiago Vavassori, diretor de atendimento das redes conectadas da Scanntech, apresentou indicadores do varejo brasileiro. Embora a taxa de desemprego esteja em queda e a renda média em alta, o canal alimentar registra crescimento tímido, puxado mais pelo preço do que pelo volume de consumo, devido ao endividamento.

"Temos mais da metade da população adulta com alguma conta aberta [...] Em média, quando cai o salário, 30% já está comprometido para pagar dívidas. Mesmo com a renda média crescendo, o poder de compra está dividido", explicou o especialista. Apesar disso, ele apontou que a busca por produtos com atributos de valor tem transformado o mix de categorias, tornando-o mais premium.

Seara apresenta panorama e inovações

Nelson Fecher, diretor regional sudeste da Seara, abriu as apresentações da marca reforçando a sinergia essencial entre as equipes comercial e de trade para garantir o sucesso do sell-out.

Em seguida, Juliana Moreti, diretora de trade, shopper e merchandising, destacou a inteligência na customização por canal e região para otimizar o sortimento. Ela apresentou a linha Seara Protein, que evidencia a quantidade de proteínas nas embalagens: "Fazemos isso porque o consumidor está cada vez mais exigente. O que a indústria pode oferecer de melhor? Conhecimento". Com foco nas festividades de fim de ano, a marca aposta ainda em linhas de churrasco e carnes natalinas.

Para detalhar a linha Seara In Natura, o diretor regional Luís Cláudio reforçou que "frango não é tudo igual": "O nosso mix, dentro de Natura, está nos fazendo aumentar no crescimento. Nos últimos três anos, o RJ dobrou o número de frangos vendidos".

Beatriz Menderico, gerente de marketing, complementou que as plataformas de inovação da marca giram em torno de sabor, indulgência, praticidade, saudabilidade restritiva e snacks, destacando as bandejas de frango premium com tecnologia de dupla absorção, além de pescados, linha Air Fryer e rotisseria. "O público está cada vez mais exigente, olhando rótulos e procurando garantias", pontuou.

Força das empresas brasileiras

Estreante no Fórum, a Ypê foi representada por Hélio Oliveira, diretor regional de vendas sudeste, que celebrou a proximidade com o varejo fluminense. Com presença em 96,3% dos lares brasileiros (segundo a Brand Footprint Brasil 2026) e 19% de participação de mercado na cesta de limpeza, a marca reforçou seu compromisso com a qualidade.

"Precisamos ter cada vez mais o compromisso e a responsabilidade. Se estou em 96% dos lares, preciso ter qualidade e mix adequado para o público certo", afirmou, destacando o desejo de ser a primeira lembrança do comprador na categoria.

A Wyda também marcou presença com o diretor comercial Antônio Carvalho, que destacou a força digital da marca e lançamentos voltados à tendência wellness, como a linha Assalight e os sacos herméticos com zip. Além disso, mostrou a nova campanha em parceria com o programa MasterChef e o chef Érick Jacquin. “É um mercado com muita gente querendo atuar, mas nós viemos crescendo”, destacou o representante.

Representando a Marilan, o diretor comercial Marcel Zirondi apresentou as marcas do grupo — que Casa Suíça, Lev, Teens e Top Cau — e destacou o pioneirismo no lançamento de biscoitos com portfólio proteico em larga escala. Ele também destacou o fortalecimento na criação de marcas próprias para supermercadistas. "O que vocês quiserem falar de marca própria, estamos abertos pra trabalhar com cada um de vocês", afirmou.

Como explorar o varejo?

Mário Loffi apresenta palestra no Fórum de Integração Varejo e Indústria 
Mário Loffi, especialista em pricing e inteligência de varejo, conduziu a palestra "Varejo: mina de ouro pouco explorada", enfatizando a importância da cumplicidade entre varejo e indústria na gestão de dados. "Nós não perdemos dinheiro, nós deixamos de ganhar às vezes por falta de avaliação de dados", alertou.

O especialista também pontuou que o é fundamental entender quais são as dificuldades e trabalhar uma gestão eficiente. Ele também alertou que, apesar de ser importante pensar em atrair novos clientes, também é essencial dar atenção àqueles que já são fidelizados.

Loffi ressaltou que a inteligência de preços vai muito além do acompanhamento de concorrentes: deve ser desenhada a partir da demanda, regionalidade e fluxo de caixa, garantindo que a precificação impulsione as vendas reais e conecte-se diretamente à logística dos centros de distribuição.

“Se tenho uma inteligência de preço que já vai dizer quanto vou vender mais ou menos, isso tem que disparar para o CD de acordo com o dia da semana. Já o CD tem que alimentar de forma correta para as lojas. Se o preço muda demanda, ela tem que mudar a logística”, disse.

Tecnologia, inovação e retail media

O Banco Senff levou ao evento inovações tecnológicas de ponta, incluindo robôs capazes de aprender tarefas complexas por repetição - como um robô-chef autônomo. Para apoiar o setor, a instituição lançou linhas de financiamento de robôs e estratégias de limite bônus para cartões de loja.

Na mesma linha de inovação de dados e mercado, Célio Martinez, líder da unidade de negócios Wetail, da LedWave, pontuou como é importante trabalhar o retail media, estimulando a interação entre supermercados e indústria. "O retail media sempre esteve próximo do varejo, mas o varejo nem sempre esteve próximo dele", pontuou. Segundo ele, o grande desafio atual reside na disputa de orçamento do trade, na eficiência da mídia e na precisão das métricas.

Já Eduardo Jaime, CEO da SA+ Trade, apresentou o programa Mais Gerações - focado na formação de líderes para o varejo supermercadista - e destacou missões e treinamentos futuros, como a NRF 2027 e a Missão Lisboa 2027.

Saudabilidade na categoria de bebidas

Guto Bezerra, diretor comercial da Ambev no RJ e ES, destacou a resiliência do setor de bebidas e o crescimento de 57% nas vendas de cervejas zero álcool e de baixa caloria no estado fluminense. "92% dos consumidores acreditam que é possível tomar uma cerveja e ser saudável", afirmou.

Marcas como Stella Pure Gold e Michelob Ultra lideram essa evolução no Rio. Enquanto a primeira segue uma linha mais sofisticada, com patrocínios em grandes eventos esportivos (incluindo a Champions League em 2027), a segunda é mais funcional e, desde que foi lançada em julho, sua versão em latão já se tornou o maior SKU vendido.

Agora, a Ambev segue focada em inovação e apresentou as novidades no portfólio, como a Spaten Pro (com proteína), Beats Pink Lemonade, Guaraná Zero com Fibras e H2OH! Limoneto em lata Sleek. "Temos que nos instigar a pensar diferente e executar dentro das nossas lojas", concluiu

Governança familiar em empresas

Rodrigo Pecchiae apresenta palestra sobre governança familiar no Fórum de Integração Varejo e Indústria 
Para fechar o evento, Rodrigo Pecchiae, especialista em governança corporativa e familiar, abordou os desafios das relações nas empresas de controle familiar. "Quando estamos no momento da primeira geração, existe uma confusão dos papéis. O próprio fundador é família, empresa e está na propriedade. Então, esses papéis se confundem muito", explicou.

Ele explicou que a forma como os fundadores abordam o seu negócio para os sucessores interferem diretamente no engajamento da geração futura. "O varejo tem suas especificidades. Se voltamos pra casa reclamando, como vamos engajar a próxima geração?", questionou Rodrigo.

Pecchia destacou que a sucessão não deve ser vista como um fardo, mas como um processo estruturado que exige propósito claro, rituais de comunicação bem definidos entre sócios, família e gestão, além de planos de transição consistentes para perpetuar o legado no varejo.