
ASSERJ debate saúde mental e os impactos da NR-1 em palestra com a advogada Bárbara Ferrari

Colaboradores ASSERJ participaram de palestra sobre saúde mental com Dra. Bárbara Ferrari
Nesta sexta-feira (25), a equipe da ASSERJ participou de um encontro especial sobre saúde mental e as novas diretrizes da NR-1, ministrado pela advogada Bárbara Ferrari. Após um café da manhã na sede da associação, a consultora trabalhista convidou os participantes a refletirem sobre a importância de construir um ambiente de trabalho verdadeiramente seguro.
Em pleno mês de Setembro Amarelo, a palestrante detalhou as exigências da norma e conduziu dinâmicas interativas para mostrar como os riscos psicossociais se manifestam na rotina corporativa. Veja como foi!
A polêmica e a realidade da NR-1
Dra. Bárbara iniciou o bate-papo explicando que a NR-1 busca colocar os riscos psicossociais no mesmo patamar de atenção que os tradicionais riscos físicos, químicos e biológicos. Com a mudança, a saúde mental deixa de ser tratada como um mero "benefício" corporativo e passa a ser uma exigência legal inegociável de segurança.
Outro ponto abordado foi a repercussão em torno das multas da norma. A especialista esclareceu que, embora o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha estabelecido a suspensão temporária da aplicação de sanções para debater critérios de fiscalização, a exigência legal de prevenção continua em vigor. Ou seja: não é porque a multa está momentaneamente suspensa que a empresa pode deixar de seguir a regra.
A advogada também destacou que a NR-1 exige uma atuação multidisciplinar, conectando RH, jurídico, gestores e lideranças. "É uma mudança de cultura e comportamento. O que era antes normal, como dar uma tarefa que não era compatível com o empregado ou conviver em um ambiente de brigas, hoje já não cabe mais", exemplificou.
O que são e como identificar os riscos psicossociais?
Enquanto agentes físicos ou biológicos são fáceis de mensurar, lidar com a questão psicológica exige sensibilidade. A palestrante explicou que é fundamental apurar a origem do problema: se decorre das dinâmicas do ambiente de trabalho, de questões coletivas ou de uma situação pessoal.
Segundo a legislação, o rol de riscos psicossociais abrange fatores como carga mental excessiva, jornadas exaustivas, falta de reconhecimento e diferentes formas de assédio (moral, sexual ou político).
E como avaliar tudo isso na prática? Embora a norma ainda esteja em fase de aprimoramento de parâmetros, as empresas podem (e devem) integrar essas diretrizes ao seu Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) por meio de pesquisas de clima, canais de escuta ativa, questionários e treinamentos direcionados.
“Não adianta identificar riscos sem um plano de ação. É isso que a legislação quer que a gente observe também", destaca Dra. Bárbara.
Segundo ela, alguns sinais claros ajudam a mapear se uma organização está operando em um ambiente inseguro: absenteísmo (quando as pessoas passam a faltar mais), alta rotatividade em uma área, casos de depressão e presenteísmo (quando o colaborador está presente fisicamente, mas distante mentalmente). Um dos principais fatores que ajudam a guiar o olhar para esse problema em uma empresa é a falta de produtividade.
Dinâmicas em grupo colocam a teoria em prática
Para fixar os conceitos, a especialista dividiu os colaboradores em cinco grupos para uma atividade prática baseada em cases hipotéticos. Em dez minutos, cada equipe teve que analisar uma situação proposta, identificar o que estava acontecendo, encontrar o risco, procurar os sinais e criar soluções voltadas à melhoria da organização, da gestão e das relações humanas.
Na segunda etapa, representantes de cada grupo assumiram o papel de gestores com um desafio: defender um plano contendo um risco principal, uma evidência clara e três medidas preventivas, contando com um orçamento restrito de R$ 100. O exercício exigiu priorização de estratégias e jogo de cintura.
Ao final, Dra. Bárbara reforçou que o objetivo das dinâmicas foi descomplicar o tema e mostrar que a gestão dos riscos psicossociais depende de um olhar coletivo. Os times treinaram habilidades essenciais para o ciclo diário de cuidado: identificar, escutar, avaliar, agir e acompanhar.
"A prevenção não começa quando alguém adoece. Ela começa quando todos aprendemos a olhar para a forma como o trabalho acontece”, concluiu Dra. Bárbara.
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