02 ago 2019

Em apenas um mês supermercados do Rio de Janeiro reduzem em quase 40% a distribuição de sacolas plásticas

Em apenas um mês de adequação da Lei 8006/18, que proíbe a distribuição das sacolas plásticas convencionais (produzidas com 100% de petróleo) no Rio de Janeiro, a Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (ASSERJ) identificou a redução de 39,2% no consumo das novas sacolas plásticas nos supermercados associados.

“Essa redução é resultado de várias ações, mas principalmente à cobrança das sacolas plásticas que vem sendo realizada nos supermercados. Pois quando o consumidor paga, ele começa a racionar o uso. Quem trabalha nos caixas de supermercado estão treinados para não usar uma sacola dentro da outra e o meio ambiente agradece. A redução já foi expressiva, mas vem muito mais por aí”, garante Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ.

O levantamento foi feito pela ASSERJ junto aos estabelecimentos que estão cobrando o preço de custo pelas sacolas retornáveis e aderiram ao movimento “Desplastifique Já!”, lançado no dia 25 junho. Com o mote “Use sacolas retornáveis. Desplastifique já! Supermercados do Rio e você, juntos pela redução das sacolas plásticas”, o movimento pretende fazer com que os consumidores repensem sobre o uso indiscriminado da sacola, e orientar sobre o impacto do produto no meio ambiente, buscando a mudança de hábitos para um consumo mais consciente, incentivando o uso de sacolas retornáveis. Saiba mais no site: asserj.com.br/desplastifiqueja

“O importante é que o consumidor não compre sacolas, mas sim adote a sua bolsa do supermercado ou reutilize. Assim como temos a bolsa de viagem, da praia e da academia, queremos estimular a população a ter também a sua bolsa do supermercado”, explica o presidente da ASSERJ. Antes da adequação, não havia um controle na distribuição das sacolas. Elas eram dadas indiscriminadamente.

Estima-se que, por ano, cerca de 4 bilhões de sacolas plásticas eram distribuídas. Com base nisso, mais de 300 milhões de sacolas plásticas eram entregues por mês no Rio de Janeiro. Com a aplicação da Lei, esse número caiu para pouco mais de 200 milhões de sacolas/mês.

Pioneirismo – O Rio de Janeiro é o primeiro Estado do país a banir a distribuição das sacolas plásticas nos estabelecimentos comerciais. Em 2011, a cidade de Belo Horizonte implementou uma lei municipal com a proibição das sacolas também. A cidade de São Paulo já tinha a lei municipal nº 15.374/2011, que entrou em vigor em 2015.

Entenda a Lei – Desde 26/06/2019 os supermercados disponibilizam apenas as novas sacolas, produzidas com mais de 51% de fontes renováveis, a preço de custo, não havendo lucro para os lojistas. Já a Lei 8.472, publicada no dia 15/7/2019, determina que os estabelecimentos comerciais do Estado do Rio de Janeiro deverão reduzir, progressivamente, o número de sacolas plásticas disponibilizadas ao consumidor, sendo: na proporção de 40% no primeiro ano de vigência da Lei e 10% nos anos subsequentes até o 4º ano. A norma revoga também a Lei 1.299, de 28 de abril de 1988, que determinava a entrega de embalagens para acondicionamento de produtos adquiridos pelos consumidores, nas compras acima de 03 kg (três quilos).

O não cumprimento de qualquer das regras impostas na nova Lei das sacolas plásticas sujeitará ao infrator as penalidades previstas na Lei de Política Estadual de Educação Ambiental, bem como na aplicação de multa pecuniária em valor a ser estimado de 100 à 10.0000 UFIR’S (correspondente para o exercício de 2019: de R$ 342,11 à 34.211,00). A Lei ainda estabelece que supermercados de pequeno porte (com faturamento de até R$ 3,6 milhões/ano) terão até o dia 26 de dezembro para retirar as sacolas convencionais das lojas.

Fábio Queiróz conta que já esperava que o carioca fosse abraçar a causa que tem o principal objetivo de proteger o meio ambiente e futuras gerações. “Toda mudança de comportamento é um processo demorado, por isso, ficamos satisfeitos com a redução de 39,2% de forma tão rápida. Já nos primeiros dias a população entendeu o objetivo e reduziu o consumo de sacolas plásticas. Percebemos que muitos consumidores já chegaram preparados com suas sacolas retornáveis”.

Para Queiróz o trabalho de conscientização prévio que foi feito pelos supermercados associados apoiados pela ASSERJ foi fundamental nesse sentido. “O povo brasileiro é muito criativo e está se conscientizando da necessidade de mudar algumas práticas habituais que fazem mal. Acreditamos que daqui a algum tempo o uso de sacolas plásticas de forma indiscriminada será considerado algo inadmissível”, disse o titular da ASSERJ.

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