22 out 2019

A importância de se ter empreendedores internos

Muito se fala em empreendedorismo nos dias atuais e cada vez mais vemos pessoas largando seus empregos para abrirem um negócio próprio. No entanto, o conceito de empreendedorismo não está associado somente ao fato de se abrir um negócio.

Empreender é transformar sonhos e ideias em algo que gere valor, que resolva problemas e atenda a necessidades de pessoas e empresas. O empreendedor, portanto, é todo aquele que realiza algo produtivo, sendo um indivíduo proativo e criativo que utiliza suas competências para gerar soluções para problemas que ele percebe.

Desenvolvimento de pessoas voltado para o empreendedorismo interno.

Empresas buscam cada vez mais desenvolver o espírito empreendedor em seus colaboradores e dão aos indivíduos com este perfil grandes oportunidades de crescimento profissional.

Vemos diversas histórias de sucesso de pessoas que iniciaram suas vidas na base da empresa e que alcançaram o topo das organizações por conta de seus perfis empreendedores.

Porém, teríamos muito mais histórias para contar se houvesse um investimento consistente em desenvolvimento de pessoas voltado para o empreendedorismo interno. Treinamentos só produzem perfis empreendedores se trabalharem as competências comportamentais que motivam o indivíduo a buscar a concretização de suas ideias.

Este efeito não é fácil de ser produzido, uma vez que a primeira coisa que a empresa deve procurar fazer é estimular o colaborador a pensar e agir como se ele fosse o dono do próprio negócio. E isto só fará sentido se a empresa oferecer chances reais de crescimento de carreira e de melhoria de qualidade de vida.

As pessoas não são motivadas apenas pelo dinheiro, mas acima de tudo pelos objetivos que podem conquistar. É uma relação de troca: realização pessoal versus comprometimento com os objetivos e metas da empresa.

Experiência própria

No começo de minha carreira passei em um processo de seleção para “management trainees” (estagiários em gerência) do Citibank. O objetivo era formar gerentes em dois anos e o banco investiu fortemente em treinamentos técnicos e em um programa de mentoria no qual um executivo do banco assumia o apadrinhamento do trainee. O mentor dava suporte em todas as questões comportamentais que os trainees precisavam para orientar a sua carreira no banco.

William, um dos trainees, decidiu usar sua enorme criatividade para sugerir um novo produto no programa de “Boas Ideias”, no qual a ideia que era aceita pelo comitê de inovação dava ao criador do novo produto um percentual da sua receita durante um ano.

Este jovem idealizou um novo investimento para o mercado financeiro, o qual mais tarde viria a ser adotado pelo Banco Central do Brasil e todas as demais instituições financeiras! Não preciso dizer quanto dinheiro William ganhou (não foi pouco) e em menos de 5 anos ele chegou ao cargo de “vice-president” (diretor) do banco.

A pergunta é: quantos Williams potencialmente temos no mercado e que se perdem por falta de incentivo ao empreendedorismo interno nas empresas?

Para refletir:

É hora de refletir como a sua empresa encara o empreendedorismo e a inovação, o que ela faz para descobrir estes talentos e ajuda-los a se tornarem William´s da vida. Muitos deles permanecem no ostracismo por falta de apoio. Certamente, sem investimentos e dedicação de esforços para estimula-los nada acontecerá. Portanto, pensem em criar áreas dedicadas ao empreendedorismo interno e à inovação, pois isto não será mais um custo e sim um investimento com grande retorno.

Coluna Escola ASSERJ

*Marcos Rabstein é Engenheiro de Sistemas (PUC-RJ 1981), Pós-Graduado em Marketing (UGF-RJ 2001). Acumula 16 anos de experiência em TI e atua em Planejamento e Gestão Empresarial, com foco em Marketing e Recursos Humanos desde 1998, tendo ocupado cargos executivos no Citibank, no Bozano Simonsen, na Tintas International e na Confederação Nacional da Indústria (CNI). Coautor de 4 livros: “Ser mais com palestrantes campeões”, “Manual das Múltiplas Inteligências”, “Consultoria Empresarial – os melhores consultores do Brasil apresentam casos práticos e seus benefícios após trabalhos profissionais notáveis” e “Estratégias empresariais para micro e pequenas empresas”.

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