Perdas supermercados

Feriadão no Rio: como blindar o açougue contra perdas e furtos

20/04/2026

Atualidades
Perdas supermercados

Com a chegada dos feriados de Tiradentes (21) e São Jorge (23), o setor de carnes no varejo supermercadista fluminense entra em estado de alerta. Se, por um lado, o consumo de itens para churrasco dispara, por outro, o açougue se torna o principal foco de perdas, que podem crescer até 33% nesse período.

Para evitar que o aumento nas vendas seja comprometido por prejuízos, William Lodrão, diretor de Prevenção e Perdas do Supermercados Princesa, alerta que a carne passou a funcionar como uma espécie de “moeda paralela”, exigindo estratégias mais rigorosas de proteção de estoque. Segundo ele, o risco não cresce apenas pelo maior fluxo de clientes, mas também pelas fragilidades operacionais típicas dos feriados prolongados, como equipes reduzidas e maior desgaste dos colaboradores.

“A carne sempre foi um dos produtos de maior visibilidade e, em feriados, o risco aumenta significativamente. Não é apenas pelo feriado em si, mas pela combinação de fluxo intenso e equipes operando sob desgaste. Cortes nobres, como picanha e filé mignon, possuem alto valor agregado e fácil revenda, o que atrai desde oportunistas até ações organizadas”, explica Lodrão.

Pilares para proteger o açougue no feriado

Para mitigar esses riscos, o especialista defende uma abordagem proativa, baseada em comportamento e operação. A primeira estratégia é a exposição controlada com reposição fracionada. A recomendação é evitar grandes volumes de carnes nobres expostos simultaneamente.

“Quanto maior a exposição, maior a vulnerabilidade. O ideal é trabalhar com reposição constante, em pequenas quantidades, evitando deixar cortes caros ‘esquecidos’ no autoatendimento”, orienta.

Outro ponto fundamental é o posicionamento estratégico da equipe. “O infrator busca padrões e pontos cegos. É essencial manter um colaborador fixo no setor de carnes e garantir que fiscais circulem ativamente, eliminando áreas sem supervisão, especialmente em freezers abertos”, afirma.

A leitura comportamental também ganha destaque como ferramenta de prevenção. De acordo com Lodrão, essa prática pode evitar até 80% das perdas.

“O fiscal deve estar atento a sinais como clientes que permanecem tempo excessivo na área de carnes, uso de mochilas ou movimentações incomuns, como carrinhos vazios que rapidamente passam a conter grandes volumes de produtos”, alerta.

Abordagem preventiva e monitoramento

A abordagem ao cliente é outro recurso eficaz, desde que feita de forma preventiva e sem confronto. O objetivo é inibir a ação antes que ela aconteça.

“Ao identificar um comportamento suspeito, a orientação é oferecer ajuda de forma natural, com frases como ‘Posso te ajudar com algum corte?’ ou ‘Prefere que eu leve esse item até o balcão?’. Isso costuma desarmar a intenção sem gerar constrangimento”, explica.

Além disso, o monitoramento de horários críticos é indispensável. As perdas tendem a se concentrar nos períodos de maior movimento e nas trocas de turno.

Os momentos de maior atenção, de acordo com Lodrão, são entre 11h e 14h e das 17h às 20h, quando a correria operacional pode facilitar a ocultação de produtos.