
Do drink pronto ao zero álcool: setor de bebidas vive revolução histórica nas gôndolas

O mercado de bebidas alcoólicas vive uma transformação acelerada, impulsionada por mudanças no comportamento do consumidor, busca por praticidade e novas demandas ligadas à saudabilidade e experiência.
Esse foi o centro do debate do painel “Do Zero ao Ready to Drink: A Revolução do Setor de Alcoólicos no Varejo”, realizado no terceiro e último dia do São Paulo Innovation Week, no palco Retail Talks. O espaço reuniu especialistas para discutir como categorias tradicionais estão sendo reinventadas e quais oportunidades surgem para o varejo supermercadista diante desse novo cenário.
Participaram do painel o jornalista especializado em coquetelaria Gilberto Amendola, autor do blog “Balcão do Giba”, Raul Gonzalez, diretor comercial da Brown-Forman, e Juliana Aguiar, diretora-geral da Estrella Galicia Brasil. Ao longo da conversa, os executivos mostraram como o avanço das bebidas Ready To Drink (RTD), produtos prontos para beber, vem redefinindo hábitos de consumo e ampliando o espaço de categorias premium, funcionais e de conveniência dentro das lojas.
Os painelistas apontaram que o consumidor atual passou a fazer escolhas mais conscientes e intencionais, priorizando equilíbrio, praticidade e experiências diferenciadas. Nesse contexto, cresce o interesse por bebidas com menos calorias, ingredientes naturais, formulações funcionais e versões zero álcool, especialmente entre os consumidores mais jovens. Ao mesmo tempo, os RTDs ganham força ao combinar conveniência, sabor e sofisticação em produtos prontos para consumo.
"O mercado brasileiro de bebidas vive uma de suas maiores transformações históricas. O modelo tradicional, pautado essencialmente pelo volume de vendas e por opções convencionais, vem dando espaço a um cenário complexo, impulsionado por um consumidor mais exigente, atento à saúde e em busca de praticidade. Essa mudança de comportamento tem obrigado a indústria e o varejo a redesenharem suas estratégias para garantir relevância nas gôndolas e nos canais digitais", apontou Raul Gonzalez.
Os especialistas também destacaram que o setor passa por uma mudança importante: a troca do foco em volume pelo foco em valor agregado. Para acompanhar esse movimento, a indústria vem apostando em inovação, diferenciação sensorial, sabores regionais, parcerias estratégicas e categorias voltadas para nichos específicos, como bem-estar, lifestyle e conveniência. A proposta é oferecer produtos mais conectados à rotina e ao perfil do novo consumidor.
"O movimento de redução ou ausência de certos componentes atrai especialmente as gerações mais jovens, que priorizam o equilíbrio e a performance no dia a dia", explica Gonzalez.
"O mercado observa o surgimento de parcerias inéditas entre marcas, a incorporação de sabores regionais e o desenvolvimento de categorias focadas em nichos específicos, como o de bem-estar e beleza. Setores tradicionais correm para aperfeiçoar suas versões alternativas, mostrando que a inovação do portfólio tornou-se vital para evitar a comoditização", disse o diretor comercial da Brown-Forman.
Para o varejo supermercadista, o avanço dos RTDs e das categorias premium representa uma oportunidade de aumentar rentabilidade e elevar o ticket médio. Produtos artesanais, funcionais e de nicho costumam apresentar margens mais atrativas e ajudam a criar experiências de compra mais completas. Além disso, a jornada do consumidor se tornou multicanal, integrando loja física, aplicativos de entrega e e-commerce em uma experiência cada vez mais conectada.
"A jornada de compra tornou-se híbrida. Embora o ponto de venda físico continue sendo o principal local de escolha, a integração com o ambiente digital (aplicativos de entrega e e-commerce) consolidou-se como um fator decisivo na experiência do cliente. O ato de consumir migrou também para dentro de casa, onde as pessoas buscam reproduzir experiências sofisticadas de lazer e gastronomia", destaca Gonzalez.
Durante o painel, os especialistas também compartilharam dicas práticas para que supermercados e pontos de venda consigam transformar essas tendências em resultado.
Entre as recomendações estão investir em gerenciamento de categorias, criando espaços específicos para produtos premium, funcionais e fitness; ampliar informações no ponto de venda com sugestões de harmonização e origem dos produtos; garantir conveniência, com bebidas geladas e posicionadas em áreas estratégicas; e capacitar as equipes para um atendimento mais consultivo.
"A sofisticação do mercado brasileiro mostra que o futuro do setor pertence aos negócios que priorizarem a experiência, a transparência e a agilidade em atender às novas demandas sociais", concluiu Raul Gonzalez.
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