24 jan 2020

Brasil cria 644 mil empregos com carteira em 2019, melhor resultado em seis anos

BRASÍLIA – O saldo de empregos no mercado formal de trabalho brasileiro em 2019 foi o melhor em seis anos. No ano passado, o país criou 644.079 vagas de trabalho com carteira assinada.

O número se refere ao saldo entre as contratações e as demissões neste período: foram registradas 16.197.094 contratações e 15.553.015 demissões. Os dados constam do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério da Economia.

Na comparação com 2018, foram 115 mil postos de trabalho gerados a mais no país, e todos os oito setores da economia avaliados pelo Caged registraram saldo positivo no ano passado.

Do ponto de vista regional, os resultados também foram positivos: todas as cinco regiões do país mais contrataram do que demitiram ao longo do ano passado.

Segundo o secretário de Trabalho da pasta, Bruno Dalcolmo, a melhora entre 2018 e 2019 é um reflexo do aumento da confiança do empresariado no país:

– Isso é mais uma característica da retomada da economia brasileira, da confiança do empresariado na retomada da economia brasileira – afirmou.

Boa parte do desempenho positivo de 2019 se deve à geração de empregos no setor de serviços. Esse segmento gerou 382.525 mil novos postos de trabalho, mais da metade de todos os empregos gerados no ano. Em seguida, aparece o comércio, com 145.475 mil novos empregos.

A construção civil abriu 71.115 mil novas vagas, número quase quatro vezes maior do que o registrado em 2018. O desempenho setor, que vinha amargando resultados negativos nos últimos anos, é visto pela equipe econômica com entusiasmo.

– A construção civil parece estar de volta. Temos visto o número de lançamentos crescendo bastante, São Paulo foi destaque no ano passado. E a construção civil tem uma cadeia produtiva importante para a geração de empregos, principalmente para a população mais pobre – disse Dalcolmo, que espera desempenho positivo do setor para 2020.

A indústria de transformação criou 18.341 mil empregos, e o salto também chama a atenção: o montante foi sete vezes maior na comparação com o ano anterior.

Na agropecuária, o saldo foi positivo com 14.366 mil vagas, também mais de quatro vezes superior ao registrado ao longo de 2018.

Os resultados também foram positivos no setor de serviços industriais de utilidade pública, que gerou 6.430 empregos. Na indústria extrativa mineral, foram 5.005 mil empregos. Na administração pública, foram 822 novas vagas.

Menos vagas em dezembro

Em dezembro, o saldo de empregos foi negativo, como historicamente ocorre nesse mês do ano. Comumente, o número de demissões sobe nesta época por conta dos postos temporários de trabalho que são criados. No

último mês de 2019 foram 307.311 mil vagas fechadas, montante menor do que o registrado em dezembro de 2018, quando 334.462 mil postos deixaram de existir.

O maior número de desligamentos em dezembro se concentrou também no setor de serviços, que fechou 113.852 mil postos. Em seguida, aparece a indústria de transformação, que fechou 104.634 mil vagas.

Na contramão, o comércio foi o único setor a gerar vagas em dezembro, com saldo positivo de 19.122 mil empregos.

No acumulado até novembro, as contratações com carteira assinada haviam somado 948.344.

Sudeste puxa saldo positivo

O Sudeste puxou o saldo positivo do país com o maior número de vagas criadas: foram 318.219 mil. A liderança ficou com o estado de São Paulo que gerou 184.133 mil novos postos, seguido por Minas Gerais, que abriu 97.720 mil.

Os piores resultados ficaram por conta do Amapá, que só gerou 352 vagas, e com o Acre, com 353 novos postos, estados menores que, proporcionalmente, geram menos emprego.

Assim, o estoque de empregos formais no Brasil, ou seja, o número de pessoas atualmente empregadas com carteira, chegou a 39,055 milhões em 2019, ante 38,434 milhões de 2018. O resultado é o melhor desde 2015, quando o país fechou o ano com 39,234 milhões de empregos formais.

Ainda de acordo com o secretário de Trabalho, o governo persegue a meta de gerar 1 milhão de empregos em 2020. O número está condicionado, no entanto, a um crescimento de 3% da economia brasileira. A previsão oficial da secretaria de política econômica é menor, de 2,4% de avanço do PIB este ano.

No ano passado, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o país poderia gerar 1 milhão de empregos já em 2019. Segundo Dalcolmo, o presidente não considerou a baixa sazonal dos empregos em dezembro, por conta das demissões decorrentes de contratos temporários.

Dalcolmo afirmou ainda que as projeções para o emprego em 2020 dependem de fatores internos e externos à economia brasileira, para que o país não caia na armadilha do “voo de galinha”, sem crescimento sustentado no longo prazo.

— Depende do cenário (da economia) internacional, e da capacidade de aprovação das reformas dentro do congresso. A economia está no direcionamento correto, mas consolidação depende desses fatores — afirmou.

Trabalho intermitente

Ainda de acordo com os dados divulgados pelo ministério da Economia, foram gerados 85.716 mil postos de trabalho na modalidade do contrato intermitente, aquele que ocorre em dias e horários específicos, estabelecido pela reforma trabalhista em 2018.

A maior parte das vagas do tipo foi gerada no setor de serviços e no comércio, sobretudo nas funções de assistente de vendas, repositor de mercadorias e vigilante.

Já no regime de trabalho parcial, aquele em que a contratação é por um período menor e determinado, foram gerados 20.360 mil empregos, também concentrados nos serviços e no comércio.

Confiança do empresário

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quinta relatório no qual aponta que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) alcançou 65,3 pontos em janeiro de 2020, o patamar mais elevado desde junho de 2010.

O resultado deste mês supera até mesmo o valor registrado em janeiro de 2019, ponto mais alto do otimismo no último período pós-eleitoral.

“A confiança elevada dá impulso à produção e ao investimento, sobretudo quando baseada não só em expectativas, mas também na percepção de melhora dos negócios”, destaca a CNI, em relatório.

O relatório da CNI destaca que a confiança elevada se baseia não somente nas expectativas para os próximos seis meses, como também no sentimento de melhora da situação econômica corrente.

Deixe uma resposta