17 abr 2019

Melhorias na rotulagem sobre glúten são discutidas em reunião inédita

A 1ª edição da Reunião sobre Necessidades Alimentares (Renae), realizada dia 12 de abril, durante o VIII Congresso Internacional de Nutrição Especializada e Expo Sem Glúten (Coine), no Rio de Janeiro, reuniu representantes da Embrapa Agroindústria de Alimentos, do Centro Brasileiro de Apoio Nutricional (CBAN), da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenalcebra), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Associação dos Supermercados do Rio de Janeiro (ASSERJ) e Congelados da Sonia. Foram discutidas questões que afetam pessoas com necessidades alimentares específicas dentro do tema “rotulagem de glúten”, como contaminação cruzada, legislação e normas que atendam demandas de segurança alimentar de celíacos, sensíveis ao glúten e alérgicos ao trigo.

“A reunião proporcionou uma aproximação das instituições e teve como finalidade falar das inconsistências existentes sobre a rotulagem perante informações em relação a alergênicos e legislação que fala sobre o glúten”, explicou o analista da área de Transferência de Tecnologia da Embrapa, André Dutra.

O especialista da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Rodrigo Vargas, explicou que já existe na agenda regulatória da Anvisa a necessidade de priorização do tema sobre rotulagem de alimentos. Segundo ele, também há a previsão de revisar a legislação de alergênicos visando alguns ajustes. “Estamos sempre abertos a atuar, existindo problemas que mereçam a intervenção da Anvisa, sempre respeitando as competências legais que determinam até onde podemos intervir”.

A partir das demandas indicadas na Renae, ele afirmou que a Anvisa pode atuar melhorando a coordenação da fiscalização e do monitoramento da rotulagem dos produtos, por exemplo. “Nós temos atuado para garantir que as informações veiculadas nos rótulos sejam adequadas para quem está recebendo, e o papel da indústria é produzir esse alimento de acordo com as regras”.

A secretária da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), Ester Benatti, destacou que a reunião deu espaço para que todos pudessem falar. “Assim pudemos perceber melhor como é que se dará o próximo passo, com condições melhores de acertar. Temos o compromisso de, ao sair daqui, dar a continuidade possível para que a rotulagem dos produtos melhore”.

A nutricionista e responsável técnica da empresa Congelados da Sônia, Gabriela Marcelino, também participou da reunião, representando a indústria de refeições sem glúten. “Eu penso que temos que ter transparência com o consumidor e passar credibilidade para que ele consuma esse produto com segurança e sem medo”.

Durante sua apresentação, a nutricionista da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (ASSERJ), Bianca Costa, falou que a ASSERJ está sensibilizada com o que está acontecendo e deve implementar a conscientização, sobre a legislação vigente, junto aos associados.

Também na ocasião, a pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Edna Oliveira, falou sobre a técnica de “Detecção de glúten em alimentos por PCR – Tempo Real”, mostrando as particularidades do método, como ele foi pensado e desenvolvido. “Com a técnica, aproveitamos para testar cerca de 20 produtos oferecidos como isentos de glúten, no Coine de 2017 e, realmente, não apresentaram presença de glúten”.

A presidente do Coine, nutricionista Noadia Lobão, destacou que troca de informações durante a Renae possibilitou que instituições como Embrapa, Anvisa e Asserj tenham um olhar diferenciado para entender melhor a condição celíaca. “Assim poderão ser pensados projetos, propostas e providências para que o celíaco esteja incluído na sociedade de uma forma bastante saudável e positiva”.

“Ao organizar essa reunião, a Embrapa conseguiu que os celíacos fossem ouvidos por instituições importantíssimas que podem fazer a diferença”, concluiu a pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Ilana Felberg.

Fonte: Embrapa Agroindústria de Alimentos 

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