24 jan 2019

E se o dinheiro físico acabar daqui a 10 anos, o que você irá fazer?

Imagina viver em um mundo sem dinheiro físico? É isso que pode acontecer daqui a 10 anos, segundo a estimativa do co-CEO do Banco Alemão, John Cryan, revelada no Fórum Econômico Mundial de 2017. Mas, as redes de supermercados estão preparadas para essa mudança? É tempo de os supermercadistas começarem a pensar e investir.

Entrar em um supermercado e sair sem pagar pode não ser considerado um crime. Isso faz parte das novas tecnologias que estão surgindo para ocupar o lugar do dinheiro de papel. São inovações de pagamento que o consumidor buscará cada vez mais e a rede que não se adequar correrá o risco de perdê-lo para a concorrência.

FIM DO PAPEL MOEDA E DO CARTÃO FÍSICO?

Segundo o coordenador do Laboratório de Engenharia de Software do Departamento de Informática do Centro Técnico Científico da PUC-Rio, Gustavo Robichez de Carvalho, esta onda de modernização já é esperada para diversos setores da sociedade, em especial para os supermercados.

“Estamos vivendo ondas de migrações, a primeira, que já é realidade, é a transição de meios de pagamentos físicos, como o papel moeda, para meios eletrônicos, como o cartão de crédito. E a partir de agora temos observado que existem novos modelos pautados mais ainda na tecnologia, como por exemplo o uso do cartão habilitado no smartphone, que dispensa o objeto físico”, exemplifica.

Ele conta que atualmente muitas pessoas nem saem mais de casa com o cartão físico. Apenas encostam o celular nas máquinas, que fazem a transação e o processo de autorização. “Essa tecnologia é fruto da associação entre bancos tradicionais e empresas de tecnologia”, diz.

Sobre essas inovações, o professor também ressalta duas razões que se encontram e incitam ainda mais os investimentos em novas tecnologias: uma é a busca do cliente por comodidade e a outra é a experiência de consumo que o supermercado propõe.

“Cada vez mais os usuários estão buscando comodidade, hoje todo mundo só sai de casa com o celular; se esse mesmo celular se torna um meio de pagamento, é uma tendência quase que irreversível. Outra questão importante é sobre o ponto de vista do supermercadista -, ao proporcionar uma jornada de consumo mais simples, aumenta a probabilidade de chamar a atenção de clientes e assim gerar mais negócios”, admite o coordenador.

VOCÊ VAI INVESTIR?

O professor da PUC-Rio afirma que o Brasil ainda está caminhando a passos lentos frente ao avanço internacional e faz uma observação específica sobre o mercado do Rio de Janeiro. “Agora o momento é dos associados observarem, compreenderem e avaliarem se isso faz sentido para o público-alvo deles, e eventualmente incentivar que esse tipo de ação aconteça ou não. É um processo muito mais organizacional e de avaliação do custo-benefício que isso irá trazer para a rede”, revela.

TENDÊNCIAS MUNDIAIS: SCAN&GO

O Walmart já é um case em tecnologia para facilitar a experiência do consumidor. E expandiu o sistema “Scan&Go”, que permite que o cliente realize a compra e efetue o pagamento do produto na loja com um aplicativo que descarta a necessidade de interação com um operador de caixa.

A empresa americana de varejo Kroger com a plataforma “Scan, Bag, Go” permite aos consumidores a digitalização do código de barras dos produtos com um scanner portátil ou com o aplicativo da rede. Ao final da compra, o cliente vai até um quiosque de self-checkout, onde os cupons válidos são contabilizados e um total é gerado instantaneamente.

Seguindo uma linha similar, a rede de supermercados holandês Albert Heijn tem a tecnologia “Tap to Go” (toque para levar, em português). Ela também permite que o cliente faça as compras e realize o pagamento sem a necessidade de passar pelo checkout.

Reportagem de Larissa Haddock Lobo, publicada na revista Super Negócios (janeiro/2019).

Deixe uma resposta