08 abr 2019

Como os supermercados podem trabalhar em conjunto com a indústria no varejo

Já não é novidade para o setor de supermercado que as indústrias de bens de consumo estão começando a traçar estratégias de vendas diretamente junto ao consumidor. E se você pensa que isso ocorre apenas no varejo físico, se enganou porque o movimento inclui lojas físicas, e-commerce e até pelos clubes de assinatura. Talvez, seja esse o motivo de novos players como Amazon e Alibaba já terem anunciado suas vindas ao Brasil, o que provoca uma movimentação no mercado nacional

Durante a Super Rio Expofood, evento produzido pela Associação de Supermercados do estado do Rio de Janeiro (ASSERJ) o painel “Venda direta da indústria para o consumidor: desafios de um cenário”, contou com a participação do presidente da Associação Paulista de Supermercados (APAS), Ronaldo dos Santos e empresários como João Nunes, sócio da Rede Mix, Genival Beserra, presidente da Rede Unno e Fábio Queiróz, presidente da entidade carioca que mediou o painel.

Segundo Queiróz, todos gostam de ir ao supermercado, exceto aqueles que não curtem muito a experiência de fazer compras devido às filas, distância, entre outros fatores desestimulantes. “Contudo, o supermercado é lugar de encontros, cheiros e sabores e pode ser considerado um ‘shopping de alimentos’. No entanto, desde a década de 1930 a experiência de compra permaneceu a mesma até a chegada da economia 4.0, quando tudo está interligado e isso muda nosso dia a dia”, afirmou o presidente da ASSERJ.

Indústria e supermercado não competem

Outra mudança já em curso acontece no modelo de negócio da indústria. De acordo com João Nunes, da Rede Mix, o setor varejista é um prato cheio para promover transformações e nenhuma indústria representa ameaça. “Hoje, o supermercado é um prestador de serviço e o produto faz parte de um contexto onde o grande intercâmbio é feito no ponto de venda”, explica Nunes.

Para ele, o ponto de venda é o local onde ele passa metade do seu tempo diariamente e a partir daí, consegue identificar e observar o que o consumidor gostou, do que ele está reclamando, o que ele demanda. “Somente desta forma, conseguirei surpreendê-lo. Acredito muito no ponto de venda, na gôndola, sem deixar de olhar para a tecnologia. Temos o dever de preservar a loja física”, disse o sócio da Rede Mix.

Para o presidente da Associação Paulista de Supermercados, Ronaldo dos Santos, antes de o fabricante ir direto ao consumidor, é preciso olhar para ele e entender sua necessidade. “Se é bom para o consumidor, vai acontecer, por mais que o setor queira impedir ou retardar. Uma hora vai acontecer. Se um fornecedor como a Unilever quiser levar serviço para o consumidor, acho difícil ir contra. Nesse caso teremos que nos adaptar”, avalia o presidente da APAS.

Na opinião de Genival Beserra, presidente da Rede Unno, o que motiva a indústria a entrar na disputa pelo consumidor é colher dados para negociar com os varejistas de forma diferente. “O varejo tem de aprender com as surpresas do mercado e sempre trabalhar em prol do consumidor. Muitas vezes, nós queremos tirar ou colocar produtos nas prateleiras sem perguntar nada, se ele quer ou não”, afirma Beserra.

Foco nas categorias

Segundo o presidente da rede Unno, se a indústria vender mais barato para o consumidor, é preciso outra abordagem para aquela categoria. “Acreditamos na colaboração da indústria e que não existem mais produtos com ou sem qualidade. Existem marcas mais fortes do que outras, porém, todas têm qualidade. É preciso identificar as indústrias parceiras e fazer um trabalho a quatro mãos, escolhendo os fornecedores certos. Se você não adaptar o seu ponto de venda para o cliente, a indústria vai transformar a sua loja na ‘loja’ dela”, disse João Nunes.

Na Bahia, por exemplo, iniciou-se um movimento relacionado aos famosos “carros dos ovos” que se destacaram recentemente pela oferta e se tornaram um transformador da categoria nas lojas da Rede Mix. “Não dávamos importância nenhuma para o ovo no negócio, a categoria estava esquecida, enquanto todo mundo falava disso. Depois do sucesso, chamamos o fornecedor para conversar e hoje vendemos mais barato” explica o executivo.

Via Portal Apas Show

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