29 jan 2019

Organização do supermercado tem a ver com consumo, produtividade e com a escolha do consumidor

A organização sempre fez parte da vida de Micaela Góes, e em um determinado momento percebeu que seu dom se tornaria sua profissão. Hoje é referência nacional no assunto, está há cinco anos no comando do programa “Santa Ajuda”, do canal GNT, no qual ajuda diversos desorganizados com várias dicas de organização. Possui sua própria empresa de consultoria em organização, a qual administra há mais de 10 anos. Micaela também é uma das fundadoras da ‘A Casa Viva’, localizada na Lagoa, Rio de Janeiro. Trata-se de um centro de cursos livres relacionados aos cuidados e organização, que forma cerca de 30 alunos por mês, e acumula mais de 100 funcionários. “A ideia é plantar essa sementinha de empreendedorismo”, afirma.

Super Negócios: Qual é a sua relação com supermercados?

Micaela Góes: É a melhor possível, e obviamente, tudo que tem a ver com organização está sempre no meu radar de observação. A organização do supermercado tem muito a ver com consumo, produtividade e com a escolha do consumidor. Tenho um método muito determinado de lidar com supermercado: tenho uma lista detalhada de tudo o que é consumido na minha casa, com marcas, preferências, pesos etc. Todo mês a gente preenche com o que já temos e anotamos a quantidade do que precisamos. Dependendo do tipo de lista ou demanda, escolho o supermercado (para uma compra maior ou menor).

Uma coisa que me chama muita atenção é que gosto de ir aos supermercados que conheço a disposição, e quando o mercado muda a ordem das coisas eu fico completamente perdida. A organização do supermercado tem a ver com a produtividade da sua compra. Até para você fazer compras no supermercado precisa ter método, você precisa organizar o carrinho na ordem que vai fazer as compras, porque tem um tipo de item que precisa pegar primeiro e por último, e até para isso é preciso planejamento e organização

 “Até para fazer compras no supermercado você precisa ter método”

Super Negócios: Qual é a sua lembrança de infância nos supermercados?

Micaela Góes: Tenho boas memórias de ir ao mercado e a feira com a minha mãe e meu pai. A gente ficava dentro do carrinho e eu e minha irmã tínhamos direito a uma cota de produtos que gosta. A parte ‘ruim’ é quando você gasta muito tempo na função, ou porque o mercado é desorganizado, ou muito grande e você não conhece e se dispersa olhando as coisas. Gosto de ter objetividade até na hora de fazer compras. Uma lista ajuda muito!

Super Negócios: Qual tendência você gostaria de ver nos supermercados do Brasil?

Micaela Góes: O Brasil já está absorvendo a tendência de fazer com que o consumidor consiga resolver tudo no ambiente do supermercado, você vai além da comida, consegue comprar produtos de utilidade doméstica, eventualmente um eletrodoméstico de pequeno porte, ou até as vezes de grande porte, resolver assuntos relacionados ao universo infantil.

Tem espaço para todo tipo de mercado, acho importante ter a possibilidade de resolver tudo em um só lugar, mas também ir a um mercado menor e comprar algo pontual para o jantar daquela noite. É importante ter diversidade de formatos diferenciados de mercado para que possamos ir à loja que atende à necessidade daquele momento.

“O Brasil já está absorvendo a tendência de fazer com que o consumidor consiga resolver tudo no ambiente do supermercado, você vai além da comida”

Super Negócios: Quais iniciativas sustentáveis ou tecnológicas que você gostaria de ver nos supermercados?

Micaela Góes: Acho muito importante a iniciativa de reduzir o consumo de sacolas plásticas, acho que o nosso planeta já não tolera mais esse tipo de consumo. Acho que já é uma tendência, mas que tem que virar um hábito. É fundamental que tenhamos a preocupação de reduzir, que sejam oferecidas sacolas sustentáveis com preço possível caso você não tenha a sua ali no momento. Também acho que teremos que repensar as embalagens que a gente consome e a quantidade do lixo que geramos. E outra coisa muito importante é com relação ao desperdício, quanta comida não é desperdiçada por má organização ou armazenamento, quantas frutas e verduras vemos caídas no chão que poderiam ajudar alimentar tantas pessoas que tem fome. Os mercados deveriam se ocupar a desperdiçar menos e dar um bom direcionamento para esses alimentos que não são perfeitos. Já existem várias iniciativas como a Gastromotiva, do David Hertz, que aproveita todos esses alimentos que seriam descartados por não ter valor comercial, e oferece refeições diárias para população de rua. Iniciativas como essa de redução de plástico, lixo e desperdício deveriam ser uma tendência adotada por todos os comerciantes. O planeta está cobrando o seu preço, e será cada vez mais alto.

“Iniciativas de redução de plástico, lixo e desperdício deveriam ser uma tendência adotada por todos os comerciantes. O planeta está cobrando o seu preço.”

Super Negócios:  É adepta a fazer compras online?

Micaela Góes: Ainda sou adepta do presencial. Já fiz algumas vezes, mas não tenho boa experiência com compras online. Um bom serviço de compras online seria meu sonho de consumo!

Super Negócios:  Como seria o projeto ideal com uma rede de supermercados?

Micaela Góes: Tenho o maior interesse em fazer projetos ligados a uma rede de supermercados porque acho que é preciso ter método até para fazer compras, e quando temos método e organização para determinadas tarefas ganhamos tempo, produtividade, otimização dos recursos. A forma como a gente organiza o carrinho de compras enquanto estamos escolhendo os produtos na prateleira vão se refletir no tempo que estamos passando no caixa, e na hora de embalar os produtos. Então, eu teria o maior prazer em pensar e ensinar sobre esse método e essa organização para fazer as compras de supermercado. Isso começa desde a hora que você sai de casa até a hora que vai organizar as compras de volta na sua dispensa. São dicas simples e fáceis que podem facilitar muitíssimo o nosso dia a dia e nos dar aquilo que hoje em dia é nosso bem mais importante: tempo e produtividade

Entrevista publicada na edição de janeiro da revista Super Negócios

 

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