Henrique Meirelles palestra na 28 Super Rio Expofood
29 jun 2017

Henrique Meirelles palestra na 28ª Super Rio Expofood

O ex-presidente do Banco Central defendeu que o Brasil precisa fazer as reformas estruturais para voltar a crescer.

O ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi o primeiro palestrante do último dia de Expofood. Iniciou sua palestra com mais de meia hora de atraso, mas nem isso foi motivo para desanimar as 540 pessoas que lotavam o auditório à espera de um panorama político e econômico do país.

Começou seu discurso com uma expectativa nada animadora declarando que em 2017 a inflação ficará muito acima da média, no entanto, rebateu o próprio pessimismo:

— A boa notícia é que o Brasil já fez isso outras vezes. A inflação será controlada, disse.

Entre as vantagens para o Brasil se reerguer, Meirelles destacou o forte mercado consumidor, o oitavo do mundo e também a produtividade agrícola. Entre as desvantagens citou a educação de baixa qualidade, os custos de produção, energia, a falta de infraestrutura e logística, a burocracia e a alta carga tributária.

Meirelles destacou a necessidade urgente de reformas tributária, previdenciária e trabalhista, além de fiscal. Em suas contas, se o Brasil não as realizar conseguirá crescer em média no máximo 1% ao ano nos próximos 10 anos, e se houver apenas ajuste fiscal, a expansão chegaria a 2% ao ano. Afirmou ainda que o Produto Interno Bruto – PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país pode apresentar recuo de até 4% neste ano. Se for confirmada a previsão será a maior recessão da história do Brasil.

Segundo Meirelles, se não forem tomadas medidas urgentes, a dívida pública pode atingir patamares muito superiores àqueles vistos em 2002 e citou alguns ajustes macroeconômicos:  

— No curto prazo, o Brasil precisa de um ajuste econômico. Deve aumentar o superávit fiscal e reduzir a inflação, para que possamos chegar num cenário básico para a próxima década, acrescentando ainda que as reservas são importantes para o país e que é muito positivo que o Brasil tenha acumulado essas reservas durante a década passada, de maneira que a gente tenha hoje esse colchão de liquidez, disse ele durante a palestra.

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