29 ago 2018

REVISTA SUPER NEGÓCIOS: Entrevista Exclusiva com Abílio Diniz

Aos 80 anos, Abílio Diniz é presidente do Conselho de Administração da Península Participações, empresa de investimentos de sua família, e membro do Conselho de Administração do Carrefour Global e Brasil. Formado em administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ele foi ao lado do seu pai, Valentim dos Santos, responsável pela criação e desenvolvimento do Grupo Pão de Açúcar, empresa da qual presidiu o conselho de administração até setembro de 2013. Além de ser reconhecido como um grande líder e empreendedor brasileiro, Abílio é adepto de hábitos saudáveis e um entusiasta do esporte.

O empresário esteve no Rio de Janeiro para participar da Convenção ABRAS durante a Super Rio Expofood. Confira a entrevista exclusiva para a revista SUPER NEGÓCIOS. 

SUPER NEGÓCIOS: Em 2018 a ABRAS completa 50 anos, e o tema da Convenção foi ‘ABRAS Essencial’. Há 16 anos a Convenção não acontecia na cidade do Rio de Janeiro, e a ASSERJ celebra esse novo tempo. Para o senhor, 2018 será um ano promissor para o setor supermercadista?

ABÍLIO DINIZ: O setor supermercadista, como muitos outros, passa por profundas transformações no mundo todo. Momentos como esses trazem muitos riscos, mas também muitas oportunidades. O Brasil ainda tem condições específicas do nosso momento, saindo de uma grave recessão, mas num cenário cheio de incertezas políticas e econômicas. Quem fez a lição de casa na crise, cortou despesas, criou processos mais eficientes, terá mais chances de crescer e ganhar mais espaço com a retomada da economia. Por isso, acho que o segundo semestre de 2018 será promissor para quem trabalhou bem na crise para sair dela.

SN: A Super Rio Expofood chegou em sua trigésima edição, e faz parte do calendário oficial de eventos do Rio de Janeiro. O evento gerou mais de 30 milhões de receita para o setor hoteleiro, 8 mil empregos diretos e indiretos, e aqueceu a economia da cidade. Para o senhor, qual é a importância e representatividade da Super Rio Expofood para o setor?

AD: O Rio de Janeiro é um mercado enorme, dinâmico, exigente, e com desafios próprios. É uma daquelas cidades com alcance nacional. O que acontece no Rio reverbera em todo o país, por isso o evento é muito importante para o setor. Espero que a Super Rio Expofood contribua também para ajudar a tirar o Rio dessa crise que atravessa ao reunir um setor tão importante para o país na cidade.

SN: O tema da Super Rio Expofood este ano foi a Colaboração, baseado nos pilares: parceria, propósito e amor.  Como o senhor enxerga o protagonismo desses três pilares nas organizações nos dias de hoje?

AD: São pilares muito bem escolhidos. O Amor é um dos meus pilares também, como descrevo no meu último livro, “Novos Caminhos, Novas Escolhas” (Editora Objetiva). A colaboração é fundamental em qualquer atividade. O mundo sempre foi colaborativo, mas hoje na era da comunicação, as estruturas todas, tanto sociais quanto econômicas, estão em rede, com comunicação instantânea e abrangente. Quem souber usar melhor essas ferramentas para estabelecer as melhores parcerias em todas as áreas terá grande vantagem no mercado. Mas não adianta apenas parceria e sucesso comercial. Sempre digo que é preciso amar o que se faz e o que se é, mas o amor, como tudo na vida, é um aprendizado.

SN: Em entrevistas recentes o senhor afirmou que bate todas as suas metas. Como líder, qual é a sua estratégia para desafiar sua equipe a alcançar os objetivos traçados?

AD: Eu sempre coloco a barra lá em cima. Cobro muito da equipe, mas dou condições para que todos possam ir atrás. É preciso muita disciplina, muita determinação e garra para conquistar as metas não só das empresas, mas da vida como um todo. Em organizações complexas como um supermercado, todos precisam estar no mesmo barco com clareza do caminho. Ou todos chegarão ao destino, ou ninguém chegará. Em situações difíceis como a atual, é comum dar explicações sobre a conjuntura e problemas externos. Mas diante de dificuldades, sempre recomendo olhar antes para o espelho do que para a janela.

SN: No ano passado o senhor realizou um evento em Portugal chamado Plenitude, voltado para viver bem e com felicidade. Neste ano, lançou uma plataforma internacional colocando conteúdo sobre esse tema para que todos possam ter conhecimento e viver melhor. Comente sobre esse projeto.

AD: O Plenitude surgiu para comemorar meus 80 anos com meus amigos e familiares de uma forma diferente. Não queria apenas festejar, mas compartilhar meus aprendizados, valores e pilares em torno do tema “Longevidade com Qualidade”. Nós todos estamos vivendo mais e viveremos cada vez mais, mas muitos de nós não se prepararam para isso. Reuni em Portugal as maiores referências de temas relacionados à longevidade com qualidade. Fez tanto sucesso, impactou tanta gente, que sentimos o dever de levar esse conhecimento ao maior número possível de pessoas. Por isso, criamos o Plenae (plenae.com.br), uma plataforma digital gratuita com todo conteúdo sobre os pilares Corpo, Mente, Relações, Espírito, Contexto e Propósito para se ter uma vida mais longa e plena.

SN: Falando em metas, quais são seus planos para 2018?

AD: Acabei de lançar a plataforma digital do Plenae. Vou também lançar uma campanha pelo voto consciente nas eleições, pois este é o melhor instrumento de mudança para o nosso país. E nos negócios, com a Península, estamos muito animados com o Carrefour, a recuperação da BRF e investimentos que temos, como a plataforma de vinhos digital wine.com.br, e a rede de padarias Benjamin. Eu amo o Brasil e acredito muito neste país, por isso seguiremos investindo e buscando oportunidades.

SN: O Carrefour apresentou planos ousados relacionados à crescimento e inovações para 2020. Qual é o propósito da companhia para o futuro? Onde querem chegar?

AD: Eu sempre fui fã do Carrefour. Estudei muito a empresa ao longo da construção do Pão de Açúcar. Acredito que estamos muito bem posicionados no Brasil para crescer aproveitando as novas oportunidades que o setor e a retomada econômica apresentam. Sou também o segundo maior investidor global do Carrefour, e na França estamos também implantando inovações que devem trazer resultados muito bons.

SN: O senhor se declara otimista em relação ao Brasil. Em ano de eleições, como enxerga o processo de retomada da economia do país?

AD: Amo este país e sou prova de como, com muito trabalho, podemos construir muita coisa boa. A retomada da economia já está ocorrendo, isso é cíclico. Mas as incertezas no cenário político ainda seguram alguns investimentos e afetam um pouco a confiança dos brasileiros. Acredito que com mais clareza do cenário nos próximos meses as coisas possam melhorar e a retomada possa ganhar força. Mas não nos iludamos, é preciso aprovar as reformas para que o país atinja seu potencial, que é enorme.

 

 

 

 

 

*Entrevista publicada na edição de julho da revista Super Negócios

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