11 abr 2018

Orgânicos ganham força e crescem a cada ano no Brasil

Mais do que um modismo, um estilo de vida. É assim que o consumo dos orgânicos é visto pela sociedade. Alimentos produzidos com métodos que não utilizam agrotóxicos sintéticos, transgênicos ou fertilizantes químicos estão sendo cada vez mais procurados por pessoas que desejam ter uma vida mais saudável e preservar a biodiversidade. As técnicas usadas nesta agricultura respeitam o meio ambiente e visam manter a qualidade do alimento.

Os alimentos orgânicos, atualmente, não se restringem às frutas e vegetais, como muitos pensam, é possível encontrar diversos tipos de alimentos orgânicos em determinadas redes de supermercados, desde produtos para consumo diário como arroz, feijão, ovos e frango, até alimentos mais específicos como vinho, mel e até mesmo chocolate.

Segundo o nutricionista esportivo, com especialização em neurologia, Rafael Braune, os benefícios que os orgânicos trazem não podem ser ignorados. “Os alimentos orgânicos vêm de solos mais ricos, e por isso carregam um maior teor de vitaminas e minerais essenciais para o corpo humano”, comenta Braune.

Sobre o nível de veneno que os produtos convencionais absorvem, Braune mostra que não é apenas mito. “Ao optar pelos convencionais estamos sujeitos à contaminação. Por isso, a melhor opção é retirar as cascas porque são nelas que há maior concentração de agrotóxico. ”

O nutricionista acerta ao afirmar que essa busca por alimentos livres de pesticidas é uma tendência mundial. O mercado de orgânicos dos Estados Unidos e de países da Comunidade Europeia representam 80% do mercado global, traduzido em quase 90 bilhões de dólares por ano.

Já no Brasil é um nicho em ascensão. Somente em 2016 teve um crescimento de 20%, com faturamento estimado de 3 bilhões de reais, de acordo com dados fornecidos recentemente pelo Conselho Nacional da Produção Orgânica e Sustentável (Organis). Mesmo com um aumento significativo, este campo precisa superar um fator crucial para conquistar mais consumidores: o preço.

O Brasil tem hoje cerca de 15.590 unidades produtivas de orgânicos, constituídas por produtores e empreendedores individuais, cooperativas, unidades de produção associativas e empresas de processamento e industrialização de produtos.

Foi com base nesse crescimento que a ASSERJ viu a necessidade de direcionar um espaço apenas para esses produtores na 30ª Super Rio Expofood. Pela primeira vez a feira terá a ExpoNature, espaço destinado para os expositores apresentarem seus produtos orgânicos e naturais aos profissionais e empresários do ramo.

“A ASSERJ percebeu que esse campo de produtos naturais e orgânicos cresceu bastante e que era necessário incluir esses expositores na Super Rio. Nesta área, vamos ter, por exemplo, desde frutas e vegetais até chocolates orgânicos, passando por produtos de linha fitness”, revelou a gerente comercial da ASSERJ, Raquel Castellar.

Todo orgânico deve ter o selo que assegura que determinado produto obedece às normas e práticas da produção orgânica. “Como temos fraude em muitos produtos no Brasil minha ressalva é para sempre optar por alimentos certificados pelo Ministério da Agricultura”, observa Rafael.

Este é o papel do Conselho do Alimento Seguro, implementado na ASSERJ há cerca de um ano e meio. O conselho tem o objetivo de assegurar a qualidade do produto que chegará nas mãos do consumidor. Esse auxílio e direcionamento garante a qualidade nas operações e previne multas e autuações.

ENTREVISTA KORIN

Empresa brasileira investe desde 1994 em produtos orgânicos que visam o equilíbrio entre a preservação e o uso dos recursos naturais. A Korin é pioneira numa série de produtos que hoje comercializa, como frango sustentável, ovos com certificação de bem-estar animal, hambúrgueres e carpaccios orgânicos.

O Diretor Industrial da Korin, Luiz Carlos Demattê, afirma que o Rio de Janeiro representa 21,85% do faturamento total da empresa.

– O que motiva a Korin a investir cada vez mais em alimentos orgânicos?

Em primeiro lugar este é nosso DNA. A produção de alimentos em sistemas naturais, orgânicos e sob princípios de sustentabilidade é algo que está inserido em nossa missão e na razão de nossa existência.

– Quais são as perspectivas para o setor de orgânicos em 2018?

As perspectivas têm sido muito promissoras nos últimos 10 anos. Interessante observar que o mercado de orgânicos está, literalmente, acelerando. A Korin mesmo possui uma gama variada de desenvolvimentos que em curto e médio prazo estarão no mercado.

– Vocês percebem um aumento significativo da procura por esses alimentos pelo consumidor?

Sim. Isso se dá ao aumento da consciência das pessoas em relação à importância da alimentação saudável e dos graves problemas acarretados com o uso de agrotóxicos e antibióticos na produção de alimentos para a saúde e o meio ambiente.

– O que há de novidade nos alimentos orgânicos que vocês produzem?

A Korin lançou, em 2017, uma linha de hambúrgueres orgânicos, produzidos a partir de carne bovina orgânica, proveniente de rebanhos criados sem o uso de antibióticos, hormônios, quimioterápicos e sem acréscimo de ureia na alimentação.

Outra novidade é o carpaccio, finíssimas lâminas de lagarto bovino orgânico certificado.

– Como é penetração da marca no Estado do Rio de Janeiro? O consumidor carioca é diferente dos demais?

Os consumidores cariocas possuem hábitos alimentares e um estilo de vida mais saudáveis, por isso, são depois de São Paulo, nosso principal mercado consumidor representando 21,85% do faturamento da empresa. A cidade já conta, inclusive, com quatro lojas Korin, maior quantidade de unidades no Brasil.

ENTREVISTA HORTIFRUTI

A crescente demanda de orgânicos motivou a rede Hortifruti/Natural da Terra a apostar na consolidação desse segmento na companhia, investindo no desenvolvimento da cadeia produtiva e no abastecimento frequente das lojas. A revista Super Negócios conversou com Robson Pereira, Engenheiro Agrônomo e Comprador de Orgânicos da rede.

– Por que a rede tem essa preocupação em investir cada vez mais em alimentos orgânicos?

A rede Hortifruti/ Natural da Terra sempre procurou incentivar o consumo de alimentos saudáveis. O sucesso com os orgânicos na rede hoje também se deve à confiança dos clientes na marca e nas relações de parcerias diretamente com produtores rurais, fornecedores e distribuidores. Acreditamos que a participação dos orgânicos possa aumentar ainda mais em 2018 a partir dos investimentos realizados.

– Vocês percebem uma procura desses alimentos cada vez maior por parte do consumidor?

Sim, sem dúvidas. Os clientes estão mais antenados e preocupados com a saúde e o meio ambiente, procurando se informar mais sobre os benefícios diretos, as informações nutricionais, a forma como são produzidos e a origem dos alimentos. A participação dos orgânicos na cesta dos consumidores tem aumentado rapidamente a cada ano. Esse crescimento é ainda mais visível no perfil de consumo da terceira idade que requer uma atenção especial nos hábitos alimentares.

OLHO: “A participação dos orgânicos na cesta dos consumidores tem aumentado rapidamente a cada ano”

– O que há de novidade em alimentos orgânicos? Qual tem mais saída?

Recentemente, lançamos no mercado carioca uma super verdura orgânica, uma couve crespa muito saborosa conhecida por “Kale”, rica em nutrientes, fibras e minerais. A variedade de tomates orgânicos também é destaque, favorecendo todo tipo de uso culinário. Assim como na comercialização de FLV (frutas, legumes e verduras), a banana orgânica é o item que mais se destaca, perdendo apenas para o morango orgânico nos meses de safra.
Nas bebidas, chamamos a atenção dos clientes para degustações com vinhos, sucos, leites vegetais e refrigerantes… Tudo orgânico!

– Como é o manuseio desses alimentos? Tem alguma diferença em relação aos outros? Há alguma preocupação específica que vocês precisam ter?

Todas as frutas, legumes e verduras orgânicas são previamente embaladas pelos nossos fornecedores na origem, aonde acontece o manuseio e processamento dos produtos dentro dos padrões estabelecidos pela ANVISA.

Os rótulos de produtos orgânicos devem estampar o selo federal do SisOrg (Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica), regulamentado pelo MAPA (Ministério da Agricultura).

O selo deve conter ainda os dizeres “Produto Orgânico BRASIL”, além da marca da certificadora que realiza as auditorias.

– Por serem um pouco mais caros, isso acaba dificultando o acesso a grande maioria da população. Vocês têm essa preocupação em estudar maneiras de baratear esses alimentos, com feiras, por exemplo?

A questão do preço dos orgânicos já melhorou bastante com o aumento do número de produtores locais do Estado, e de outras regiões do Brasil. Mais de 30% das indústrias investem em alimentos saudáveis, destinando uma fatia razoável aos produtos orgânicos.

INFOGRÁFICOS

Quais são os produtos mais consumidos?

Vegetais – 63%

Legumes – 25%

Frutas – 25%

Cereais – 12%

Onde os orgânicos são comprados?

Supermercado – 64%

Feira – 26%

Loja de produtos naturais – 4%

Direto do produtor – 3%

Grupo de compras coletivas – 1%

Fonte: Organis Brasil

*Matéria publicada na edição de março da revista SUPER NEGÓCIOS.

 

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